Capítulo 11

Marco continuava sentado, esperando que seu parceiro trouxesse novidades sobre o caso; tinha verificado o relógio colocado sobre uma pequena mesa ao lado da cama constatando que já passava das cinco horas da tarde.


O quarto no qual estava não possuía janelas, portanto ele não tinha como saber quando o sol ia se esconder sem a ajuda do relógio; passara o dia muito bem, bem até demais para quem tinha levado uma surra na noite passada; mas incrivelmente ele não sentia dor alguma pelo corpo, as costelas quebradas não o incomodavam nada e os hematomas doloridos e roxos que cada soco o havia presenteado tinham sumido ou estavam desaparecendo rapidamente.

De três em três horas Marco estava sendo visitado pelo médico do quartel que em sua última visita tinha se espantado com a melhora repentina do paciente; e já iria autorizar sua alta para a manhã seguinte, se não fosse o tom apático e abatido do rosto do rapaz; parecia que a cada hora o seu semblante se tornava mais e mais cansado ao contrário do que Marco verdadeiramente estava sentindo, que era uma disposição enorme, estava pronto para deixar aquela cama e correr quilômetros e mais quilômetros numa maratona se fosse preciso ou realizar qualquer atividade que exigisse extremo esforço corporal. Nunca tinha se sentido assim antes.

Durante todo o dia Marco teve uma forte sensação, algumas vezes ele sentiu claramente o gosto de sangue na boca, mas era uma sensação muito rápida, passageira; seguida de uma calafrio que percorria todo o corpo tão veloz quanto. Por volta das sete horas, o médico voltou para examiná-lo, e ao terminar perguntou:

_ Como você está se sentindo agora Marco?

O rapaz queria pular da cama e fugir, estava pensando estranhamente que conseguiria passar pelo doutor tão rápido que ele nem mesmo teria reação.

_ Estou bem doutor. _ Respondeu comedidamente.

O médico estava escrevendo alguma coisa no seu prontuário que estava pendurado na cama.

_ Ótimo; seus exames mostram uma melhora considerável de sua condição, acho que já posso liberá-lo amanhã mesmo.

Marco pensou em verificar novamente o relógio na mesinha ao lado, mas não o fez, continuou prestando atenção no que o médico dizia e tentando disfarçar porque acabara de sentir um forte espasmo em seu braço, como se ele tivesse se movido involuntariamente.

_ Seria realmente bom doutor.

O médico terminou de analisar os papéis que estavam em anexo ao prontuário e juntou tudo em uma pequena prancheta que colocou pendurada nos pés da cama.

_ Vá amanhã bem cedo tirar umas radiografias; ainda quero ver como estão suas costelas.

_Certo.

Dito isso o médico se retirou do quarto sendo acompanhado pelo olhar do jovem policial sentado na cama; quando a porta do quarto se fechou, Marco voltou-se instantaneamente para a mesinha a fim de ver o horário, afinal estava ansioso por saber se Fernando viria visitá-lo ainda naquele dia. Mas ao olhar para a mesa, algo estava errado; o relógio não estava lá; abismado o rapaz vasculhou todo o quarto com os olhos e não o encontrou; achando aquilo muito estranho, Marco resolveu se levantar para verificar embaixo da cama; o relógio poderia ter caindo sabe-se lá como e ido parar lá.

Ao levantar e retirar o lençol que o cobria da cintura para baixo o calafrio percorreu novamente seu corpo, mas este era causado por espanto, porque o relógio estava na cama coberto pelo lençol. Mas como isso era possível? Ele não o havia recolhido e colocado lá, e muito menos o médico; além do mais o relógio não ia sair andando da mesinha para pular na cama e se enfiar debaixo do lençol.