Capítulo 12

Fernando vinha caminhando pelo corredor no qual se localizava a enfermaria onde estava Marco e viu quando o médico saiu do cômodo; o doutor ao ver Fernando se aproximando fez um sinal com a mão pedindo um minuto.


_ Preciso falar com você sargento. – disse Dr. Muniz.

Fernando temeu pelo pior; logo pensou que seu amigo tivesse piorado ou algo assim.

_ O que houve doutor? Marco está bem?

O médico fez outro sinal, apontando para a sala do final do corredor, era a sala particular dele; lá poderiam conversar mais tranqüilamente. Embora o batalhão de polícia não possuísse instalações médicas de referência, sempre mantinha dois ou três leitos para qualquer eventualidade e um médico da polícia militar de plantão com uma pequena equipe de enfermeiros não maior do que cinco pessoas para o caso de algum dos homens da tropa se machucar levemente no futebol ou em alguma faxina ou para prestar atendimentos simples e de rotina. Para casos mais graves e complexos qualquer um era imediatamente transferido para o Hospital Central da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro localizado no Estácio.

Ao entrarem na sala do médico, Muniz sentou-se em uma cadeira e Fernando em outra.

_ Serei breve e o mais direto possível._ Iniciou o médico.

_ O cabo Marco está bem, e até certo ponto você não precisa se preocupar com ele.

Fernando concordava com a cabeça.

_ Mas, a recuperação dele está muito acelerada; seus hematomas sumiram e não há quase nenhum indício de que ele tenha sofrido as agressões que sofreu; ou seja; é como se ele estivesse se regenerando. Sei que isso pode parecer um tanto quanto esquisito, mas vou pedir que fique de olho nele. Vou liberá-lo amanhã e sugerir que vá ao H.C para fazer alguns exames mais apurados.

_E o que há de ruim no fato de ele estar se curando? _ Perguntou Fernando tentando não parece preocupado.

_Há; que esse processo deveria acontecer bem mais lentamente; mas como o rapaz parecia não apresentar nenhum motivo que justifique minhas preocupações, eu irei autorizar a alta dele amanhã, logo depois que saírem os resultados de alguns exames que pedi a ele que fizesse.

_Não me parece estranho._ Fernando observou.

O médico respondeu:

_ E talvez não seja mesmo. Esse excesso de trabalho está me matando.

Eles conversaram por mais alguns instantes, e finalmente Fernando agradeceu ao médico e saiu da sala voltando para o corredor seguindo ao quarto do amigo; ao entrar logo viu Marco sentado segurando o pequeno relógio digital; Fernando pensava em falar rapidamente com seu amigo, disser os avanços conseguidos; se é que se podiam chamar os últimos acontecimentos de avanços; contar sobre seu encontro com Erom Andreas Chagas e sobre as coisas contidas na mala que recebeu dele. E assim foi; o sargento contou tudo como tinha acontecido e Marco ouviu.

_ E o que você pensa fazer? _ Perguntou Marco.

_ Vou tentar acabar com isso o quanto antes.

_ Como?

_ Depois que recebi as coisas de que lhe falei, de Erom, terminei a patrulha e voltei pra cá, mas antes de vir aqui te ver eu passei um tempo analisando o livro vermelho; a bíblia italiana, e como já disse tinham umas páginas soltas com o que eu acho que seja a letra do padre Giovanne Poggimartro; e em uma dessas páginas havia algumas coisas escritas que eu consegui entender e me chamaram muita atenção.

Fernando se interrompeu e olhou para o amigo sentado na cama à sua frente, Marco estava olhando para ele, mas sua aparência era estranha, estava terrivelmente pálido.

_ Você está mesmo legal cara?

_ Já disse; nunca estivesse melhor. _ Rebateu Marco apertando o pequeno relógio de cabeceira na mão esquerda.

_ Continua contando.

_ Como eu ia dizendo, havia quatro endereços que eu já chequei em nossos arquivos como o pessoal, o primeiro é o cemitério, e as informações anexadas a esse endereço levam até o mausoléu onde segundo o padre Bruno está à outra criatura.

Arregalando os olhos Marco falou:

_ O desafeto de Gabriel.

Fernando concordou com a cabeça e prosseguiu.

O segundo endereço corresponde a um domicílio, que eu vou fazer questão de visitar amanhã bem cedo; fica na rua Cordura e o terceiro endereço corresponde a um outro domicílio, que o padre Giovanne classificou de “O ninho” em suas anotações.

Marco colocou novamente as pernas sobre a cama e ajeitou o lençol sobre si mesmo recostando no espelho da cama junto à parede.

_ O que significa isso. O ninho?_Perguntou.

_ Não sei; é um nome muito vago, mas logo saberemos do que se trata porque eu chequei com as equipe de patrulha e parece que já existe um chamado constando para essa residência eles devem checar isso ainda hoje.

E o último endereço pelo que eu entendi é uma boate próxima do centro.