Capítulo 16

No dia seguinte, Traduzindo as anotações em italiano do padre Giovanne; Bruno achou algumas histórias incrivelmente espetaculares. Para ele não era nenhuma novidade que existiam vampiros andando livremente no Rio de Janeiro, e especificamente em Mesquita, mas apenas dois tinham tido a coragem ou audácia de se mostrar publicamente; até agora somente Gabriel e Cícero que possuía a alcunha de “o invasor” tinham feito isso, mas o segundo era muito mais cuidadoso em seus métodos de “caça”; enquanto Gabriel gostava de chamar atenção, desafiar e se envolver nesses joguinhos de “gato e rato” contra mortais, exatamente como estava fazendo com os dois policiais. Cícero era extremamente meticuloso, frio e calculista; quase como um fantasma; seria impossível prendê-lo como Giovanne fez se não fosse sua insaciável sede por conhecimento e o fato de estar travando uma guerra particular contra Gabriel.


Segundo Giovanne, teria existido um grupo de três caçadores implacáveis e extremamente eficientes que estavam de certa forma impedindo a proliferação dos “filhos da noite” em Mesquita, mas por algum motivo escuso desapareceram sem deixar vestígios, deixando assim livre o caminho para os monstros da noite prosperarem do mesmo jeito que fora feito em tantas outras cidades, do Brasil e do mundo; como Nova Orleans, Cairo, Bucareste, Viena, Luanda e tantas outras; a teoria de Giovanne era que tais caçadores haviam sido mortos em combate. Seus corpos nunca foram encontrados.

O problema era que esses seres estavam vindo para Mesquita oriundos de outras cidades e até de outros países, e Gabriel não aceitava isso por se julgar dono de todo o território da cidade ou por não querer nenhum tipo de concorrência.

Giovanne chegou até a contar que certa vez quando caçava um outro “noturno” novato, provavelmente um bastardo, este dissera os nomes de dois dos líderes de uma fracassada associação de vampiros que tentou se organizar em Mesquita, era uma sociedade formada nos moldes de outras irmandades de vampiros existentes em outras cidades do mundo; mas não deu certo porque brigas internas teriam rachado a fina união entre eles. Dominic seria o líder, violento e possessivo, e Cícero, maldoso e cuidadoso, seria um provável usurpador do poder para tentar governar sozinho. Gabriel, arrogante e vingativo, seria uma terceira força e teria se recusado a fazer qualquer tipo de aliança com ambos, havia jurado eliminar todos eles.

O reverendo dedicou algumas páginas de anotações e estudos sobre Cícero, Dominic e Gabriel, mas foi justamente este último que lhe tirou a vida.