Capítulo 30

Gabriel passou pelo portão de sua própria casa e caiu no quintal, encharcado pela chuva que continuava caindo sem trégua; em seguida saltou até a janela do seu escritório e entrou na casa pelo andar de cima, começou a tirar as roupas molhadas, uniu os cabelos com as mãos para retirar o excesso da água que o incomodava levemente; estava molhando os cômodos por onde passava, mas não tinha importância, sua governanta limparia toda a sujeira pela manhã quando chegasse. Aquela noite era especial.


O vampiro estava feliz, pois atraíra seus inimigos para dentro de sua casa onde poderia eliminá-los facilmente, mesmo com as limitações que as sensações mentais estavam impondo aos seus dons; foi ao banheiro pegou uma toalha para secar-se, mas percebeu que junto com a água que caia de seu corpo também havia sangue; sangue que estava saindo por sua pele, sangue escuro, ele rapidamente checou o ombro que foi atingido pela bala, mas este já estava totalmente recuperado. O orifício ainda permanecia lá, mas não havia sangue saindo e a carne também escurecida estava levemente inchada, porém, logo voltaria ao normal.

Depois de enxugar todo o corpo retirando a água e o sangue, ele chamou mentalmente pelos seus servos, mas não ouve resposta; tentou mais uma vez ampliando sua força, mas o resultado foi o mesmo.

Ele se pegou ainda mais feliz, porque sabia que de alguma forma os mortais haviam destruído seus guardiões e isso era muito mais do que muitos tinham conseguido em mais de cinco décadas, e o motivo dessa felicidade excessiva era que finalmente depois de tanto tempo teria um pouco de diversão novamente; poderia brincar com suas vítimas como costumava fazer quando era mais novo. A sensação sombria o açoitava como um espírito fustigando suas entranhas, e, aquilo estava debilitando parcialmente suas habilidades; como se não bastasse tinha gasto muita força invocando a velocidade sobrenatural para despistar os policiais, mas ainda tinha energia de sobra para matar todos eles, podia facilmente dar cabo dos três e certamente faria com que o resto da noite fosse tão proveitosa quanto nos primeiros anos de sua nova existência. Como naquela noite em 1954, em Viena quando ele praticamente dizimou um grande grupo de pessoas que o estavam perseguindo.