Capítulo 6



Marco não havia conseguido dormir até àquela hora da madrugada, toda vez que fechava os olhos ele se lembrava do velho Jonas Ambrósio e de seu relato emocionado; estava muito impressionado com os fatos relatados pelo coveiro e pelos próprios acontecimentos em si, mas não havia motivo para ter medo; ter medo de quê? De um suposto assassino pálido que matava ateus? Marco interrompeu seus pensamentos e pulou para outra linha de raciocínio; desde que tinha sido destacado juntamente com Fernando para patrulhar as ruas a fim de prevenir que outros incidentes como os ataques de antes voltassem a ocorrer, percebeu que os ataques estranhos aconteciam nos domingos, exceto em algumas eventualidades, e já era por volta de três da manhã, portanto domingo; com certeza; pensava o cabo, o assassino agiria de novo naquele dia e talvez fosse provável que já estivesse em campo naquele momento.


Com a exceção de José Firmino e do padre Giovanne somente mais umas duas ou três pessoas foram achadas com as mesmas características em pontos distintos da cidade; o restante fora encontrado sempre na praça central de Mesquita, mas todos com aquela expressão de horror nos rostos; isso colocava as noites de domingo na linha de tempo como o horário que este bandido preferia para atacar.

Ele se levantou da cama e foi para a cozinha beber um copo d’água enquanto continuava pensando: “Era bem possível que este psicopata estivesse infiltrado em meio àqueles roqueiros que freqüentavam a passarela do rock todos os domingos, sim era bem possível; estava quase certo disso”. O predador no meio de um grande rebanho de presas.

Isso significava que a palidez poderia ser algum tipo de maquiagem, afinal esses caras sempre usavam esse tipo de cosia para provocar um efeito mais mórbido neles mesmos; as coisas começaram a fazer algum sentido na mente de Marco que finalmente conseguiu espantar o fantasma sobrenatural que não o tinha deixado dormir durante quase toda a madrugada.